Desconstruindo a dogmática - Expiação Parte 1



 



A idéia desenvolvida principalmente por Paulo, de que a morte de Jesus foi um holocausto que Deus precisava para reconciliar o mundo consigo mesmo, é em minha opinião, uma construção teológica dele. Não vemos essa ênfase toda na idéia de sacrifício de Jesus como remissão dos pecados em outras relatos do Novo Testamento, como por exemplo, nos discursos de Pedro em Atos.

Se nós fazemos uma crítica ao deus do Antigo Testamento que seria uma construção dos seus autores, e isso engloba então os sacrifícios de animais para apaziguá-lo, creio que levar essa idéia primitiva de holocausto para a morte de Jesus é um erro.

A idéia de que Deus exigiu um sacrifício humano-divino de Jesus é a mesma atitude primitiva do Deus do Antigo Testamento que precisava de sacrifícios de sangue para não castigar o penitente.

Não vejo nas narrativas dos evangelhos, Jesus dar a idéia de que sua morte seria um holocausto para Deus.

Deus não precisava do sacrifício do Filho para ser propício aos homens. Logo, Jesus morreu por aquilo que ele acreditava e não como um sacrifício a um Deus que precisa de sangue para aplacar sua ira, como acontecia com o Deus do AT.

Por isso creio que a morte vicária pode ser algo a ser desconstruído na teologia cristã, pois na verdade, essa idéia foi construída um dia e teve seu valor no cristianismo primitivo.