Desconstruindo a dogmática - Expiação Parte 2






Grande parte dos dogmas vigentes na igreja teve sua nascente no período patrístico, mais precisamente em Agostinho.

Isso se deu em função das sucessivas controvérsias com algumas interpretações teológicas que iam surgindo. O paradigma atual da expiação, pelo menos no ponto de vista do ocidente, foi definida pelo Papa Gregório no sexto século.

Para termos uma idéia melhor, Anselmo, respeitado teólogo do século XI, elaborou uma teoria envolvendo a expiação, não menos interessante do que o os modelos oriental e ocidental. A chamada expiação pela compensação.

Sem querer entrar em detalhes, é conhecida no decorrer da história pelo menos dez teorias sobre a expiação.

A primeira foi a do resgate, depois a da compensação, que mais tarde recebeu alguns retoques de Calvino e se transformou na teoria da substituição penal, que é essa adotada por nós. Contudo muitos estudiosos a consideram jurídica ou legalista demais para retratar o amor de Deus.

Um contemporâneo de Anselmo, chamado Abelardo, não concordando com nenhuma teoria conhecida até seus dias, desenvolveu a sua própria, com a teoria da “expiação pela influência” ou de “exemplo moral”. Onde de uma maneira até simples, ele explica como a morte de Jesus traz a reconciliação da raça humana com Deus. Se você conferir, notará que este sim enfatiza o amor acima da honra ou da ira de Deus.

Estou citando apenas aquelas que causaram grande convulsão nos meios eclesiásticos. Mas existem outras também significativas.

O fato é que, apesar do modelo de expiação adotado pela igreja ter aceitação majoritária, está longe de ser unanimidade.