Desconstruindo a dogmática - A crise de Asafe






Asafe, como qualquer outro ser humano antenado fez uma leitura crítica dos fatos que ocorriam em sua volta.
Dramas vividos pelos justos e a prosperidade desfrutada pelos ímpios o inquietou.

Sua cosmovisão orientada num conceito distorcido de justiça, fez com que ele colocasse Deus no centro da sua crise, ao considerá-lo como sendo o responsável pela distribuição indiscriminada de bênçãos e infortúnios.

Ficou tão paranóico ao ponto de questionar a importância da honestidade. Já que essa passou a não significar mais o diferencial na garantia de sucesso.

Onde estava a origem e causa de sua crise?
 
Ao pensar que “verdadeiramente bom é Deus para com Israel”, (mas que não deveria ser para com as demais nações).

Ao pensar que “bom é Deus (apenas) para com os limpos de coração”.

E quando seu coração foi tomado pela amargura e inveja ao ver a prosperidade do “ímpio”.
 
Asafe acreditou ter solucionado sua crise ao entrar no Templo: “Até que entrei no santuário de Deus...” (Sl 73:17).

Entretanto, aquilo que a princípio parecia ser a cura de sua crise existencial, converteu-se numa das mais terríveis patologias de alma. Que é a idéia de domínio e exclusividade quanto à eternidade. Veja o que ele disse:

“Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis”.
(Sl 73:27).

“Tu me diriges com o teu conselho, e depois me receberás com honras”. (Sl 73:24).

Triste á saber que o fatídico pensamento de Asafe é compartilhado pela igreja. Não é por acaso que igreja se tornou um lugar inóspito, para quem faz do pensamento o seu tesouro.

Fonte: Grupo Logos & Mythos